De Bento Gonçalves para o Brasil

A história da chegada dos italianos ao Brasil sempre mostra muitas dificuldades, coragem e superação. Com a família Pittol não foi diferente. O patriarca Giusseppe saiu da Europa e chegou ao Porto do Rio Grande do Sul entre 1890 e 1905. De lá, as águas da Lagoa dos Patos e do Rio das Antas levaram os imigrantes à região de Bento Gonçalves.  

Foi na comunidade de Passo Velho que Giusseppe se estabeleceu e começou a trabalhar na agricultura, principalmente com a plantação de trigo e cana-de-açúcar. Região essa que ainda é simbólica para o Estado gaúcho, bem perto da famosa ponte do Rio das Antas.   

Giusseppe se casou com Emília Miassi e tiveram três filhos. Um deles era o menino Serafim que nasceu em 1910 e conheceu logo cedo a importância das palavras persistência, coragem e sonho. Foi no alambique da família que Serafim aprendeu a valorizar o trabalho. O jovem caminhava dois dias para vender a cachaça produzida em Passo Velho, no comércio em Bento Gonçalves.  

A família Pittol também tem raiz na história da região. Aqueles relatos que são contados pelos livros e que viram poesia e melodias nas canções nativistas fizeram parte da vida deles. Quando garoto, Serafim ajudou o pai Giusseppe a levar madeira para Porto Alegre, movidos pela correnteza da balsa que fazia a ligação de Veranópolis e Bento Gonçalves.   

Na década de 20 Serafim Pittol decide ter o próprio negócio. Sai da terra Natal para fundar uma fábrica de calçados em Lacerdópolis, Santa Catarina. Além do espírito empreendedor, ele sempre foi muito habilidoso na fabricação de botas, sela e no tratamento do couro.   

Foi em 1958 que Serafim e a esposa Hermelinda se mudaram para Concórdia e compraram uma loja de madeira, ao lado da praça central.  Naquela época o jovem casal nem imaginava que a pequena empresa se tornaria símbolo do comércio varejista no Brasil.   

Durante toda a vida Serafim e Hermelinda mantiveram relação próxima com os primos que ficaram em Bento Gonçalves e com os amigos das famílias Bucco e Colau. Eles saíram de lá, mas as raízes, o amor e as boas histórias os acompanharam no coração e nas lembranças.   

E o que diria hoje o jovem que vendia cachaça, o sapateiro e o casal empreendedor? Sim, cada esforço valeu a pena. Acreditem nos sonhos! E sabe aquele ditado que diz: o bom filho à casa retorna? Bento Gonçalves, a Pittol do Serafim e da Hermelinda está chegando!   

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